Sertão Pretérito

Minhas espáduas denunciam meu sertão pretérito.

Minhas longas botas, parte de mim, sertão até os joelhos.

Meus testículos abarrotados de sementes verdes, sertão que virá.

Meus pés, sertão cansado.

Minhas mãos, silentes, se multiplicam no sertão da alcova.

A música dos meus tormento-minutos, sertão que não se cala.

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Na terra do Sol, de Lula Oliveira

Cheguei um dia ao cineasta e amigo Lula Oliveira com um argumento de roteiro. Disse a ele que queria sua ajuda pra roteirizá-lo, mas Lula , com seu senso de oportunidade e de aglutinar pessoas, me convidou pra ser roteirista de um projeto seu, já em andamento na época.

Foi assim que entrei em Na terra do Sol (Lula Oliveira, ficção, 35mm, 13min, 2005). Recebi um argumento e uma versão ainda incipiente da história.  Aí fui catando as coisas, os formatos possíveis de se roteirizar. O resto foi criação e  imaginação, falas febris, dores e gemidos em forma de poesia, na voz dos personagens, representações dos quatro últimos sobreviventes e um soldado da Guerra de Canudos.

Alguns anos se passaram, e muitas críticas –  boas e ruins –  e um Prêmio BNB de Melhor Filme de Temática Nordestina depois, resolvi escrever esse pequeno post, que resume sobre meu debùt como roteirista.

Aquele abraço, Lula, e obrigado.

Graças a você, hoje publicam: “O escritor e roteirista Dênisson Padilha Filho…”