Entrevista com Rosel, da Casarão do Verbo

Rosel Soares tem 39 anos e é um dos sócios da editora baiana Casarão do Verbo. Fundada em 2007, a Casarão já tem 15 livros publicados. Apesar da maior parte do catálogo ser formada por obras de escritores baianos, Rosel explica que o critério de publicação é a qualidade do texto. Confira a entrevista.

Menelau e os homens: Como é ter uma editora jovem hoje no Brasil?

Rosel: É, antes de tudo, um ato de coragem; o que, por sua vez, é ingrediente para a ousadia e o empreendimento. Renata, Rafael eu – os três sócios da Casarão do Verbo – já atravessamos aquela fase primeira, marcada por uma certa ansiedade que nos fazia pensar quase sempre: de onde virá o dinheiro para publicar o terceiro título? Morreremos no quinto? Chegar ao décimo pode ser um sinal de vitalidade? Mas, para não fugir à pergunta: é um constante desafio ter uma editora jovem no Brasil, como em qualquer parte do mundo, suponho. Mas é erro achar que todos os espaços e nichos já foram abocanhados pelas grandes e consolidadas editoras.

M: Quais são os critérios da Casarão do Verbo para publicação?

R: Um autor publicado pela Casarão do Verbo precisa ser, antes de tudo, um exímio contador de histórias. Precisa saber escolher as melhores palavras disponíveis na língua Portuguesa para contar essa ou aquela história. Precisa estar preocupado em criar o mais rápido possível a sua própria voz narrativa. Precisa, assim, ter um estilo que o diferencie o quanto antes de seus mestres.

M: Qual a imagem que a Casarão do Verbo quer passar para o público? Como isso reflete no catálogo da editora?

R: A imagem que nós estamos construindo e que deverá ser consolidada nos próximos cinco anos é a de uma casa de livros voltada para a publicação de obras de qualidade literária respeitada e também a de uma editora preocupada com a formação de leitores, a começar pela região Sudoeste da Bahia, que é onde a Casarão está sediada [na cidade de Anagé]. Não posso adiantar ainda nenhum de nossos projetos nesse sentido, mas é certo que ainda esse ano deveremos lançar o primeiro de seis dos nossos projetos envolvendo a formação de leitores na Bahia.

M: Se você pudesse publicar qualquer autor, quem seria ele? E por quê?

R: Há vários nomes, entre mortos, vivos e feridos. Tenho um respeito que chega a beirar a idolatria por nomes como Guimarães Rosa, Machado de Assis e Hélio Pólvora (que aliás segue vivo e publicado pela Casarão do Verbo). Mas eu seria infinitamente realizado enquanto editor se tivesse publicado Graciliano Ramos.