Um cometa cravado em tua coxa

A intenção desta resenha é recomendar um livro terrivelmente bem escrito.

Um cometa cravado em tua coxa. Este é o nome do volume de contos do escritor Luís Pimentel que a Editora Record lançou em 2003. Não podia conceber que por trás de um título desse pudesse haver coisa ruim,  já que, a meu ver, conforme já falei e falo sempre, antes da dimensão narrativa, o texto em prosa não “vai pra frente” sem a dimensão estética.

No entanto, muito mais que isso, fiquei surpreso com a capacidade com que esse autor que Feira de Santana deu pro Brasil pode reunir ironia, lirismo e poesia em seu textos. E é poesia mesmo, verbo  delirando,  novos campos semânticos surgindo no papel. E eu, besta, assistindo a tudo, invejando o título do livro e seus textos, que trazem coisa do tipo: cometa é algo “que nem você, que chega quando menos se espera e some quando mais se precisa. Que escurece a visão e ilumina os lençóis. Essa maldade nos lábios, esse cometa na coxa“.

Defensor ferrenho do texto enxuto, Pimentel, homem de televisão, jornalista, poeta e escritor, joga bem com as palavras. Faz arrepiar com elas sem perder a graça; e com um olhar arguto pras coisas pequenas, que por dentro se agigantam; ou pelo menos, se tornam grandiosas diante dele.