“Dona Mimma”, de Luigi Pirandello

O que mais me impressiona na contística do grande Luigi Pirandello é a despretensão com que ele narra as histórias. No volume de contos intitulado Dona Mimma (Berlendis&Vertecchia, 2002), o siciliano da gema, notabilizado pela dramaturgia que escreveu na reta final de sua vida, traz à baila coisas simples de uma aldeia, como por exemplo um passarinho que vive com dois velhos e é cobiçado pelo gato persa, todos sob o olhar das estrelas; falo do conto Um gato, um pintassilgo e as estrelas. Noutro conto, a conversa entre pais num vagão de trem sobre os filhos que a guerra levou: Quando se compreende. Em Banco sob um velho cipreste,  dois homens  – um marido e um amante – pautam a vida no amor por uma mulher e se encontram,  já velhos e derrotados, num banco de parque.

Creio que não há perigo de eu estar estragando coisa alguma ao falar assim de alguns dos contos do volume, pois o grande prazer está, repito, na leveza narrativa de Pirandello e na dimensão estética dos textos.

Anterior a esse Dona Mimma, também em bela edição, a editora lançou O velho Deus, que reúne as novelas de Pirandello. Já pedi meu exemplar, mas ainda não li. O que pressupõe que voltaremos a falar, em breve e com muito prazer, da obra do mestre.

Abraços.

Dênisson Padilha Filho.