Entrevista com Goulart Gomes

O escritor baiano Goulart Gomes concedeu uma pequena entrevista para o blog e falou sobre literatura e o trabalho de Dênisson Padilha Filho. Gomes é autor de Anda Luz (1987), LinguaJá, o Território Inimigo (2000), Trix, Poemetos Tropi-kais (1999) e Minimal, dos males o menor (2007), a peça teatral A Greve Geral (1997), o cordel A Divina Comédia (1989); Todo Tipo de Gente, contos (2003), Matrix Revelations – Tudo o que Você Queria Saber sobre o Filme, ensaio (2005) e Deixando de Existir, ficção científica (2009), entre outras obras. Ele já ganhou mais de 60 prêmios em concursos de poesia, prosa e festivais de música e atualmente coordena o Movimento Internacional Poetrix.

Menelau e os homens: O senhor costuma tecer elogios à obra de Dênisson Padilha Filho. O que o senhor encontrou nela que o entusiasmou?

Goulart Gomes: A obra de Dênisson Padilha Filho segue o melhor da tradição dos ficcionistas nordestinos, pelos quais sou encantado, a exemplo de José Lins do Rêgo, Rachel de Queiroz, José Cândido de Carvalho, Graciliano Ramos, Wilson Lins e, mesmo, Guimarães Rosa, mas com um estilo próprio, contemporâneo e contextualizado. Ambientados em um cenário sertanejo, suas personagens, muito bem tipificadas, vivem histórias que encantam e emocionam. Hoje, que a nossa literatura está assolada pelos dramas vividos no ambiente urbano. Dênisson consegue trazer de volta o cenário rural para o centro das atenções, com suas histórias marcantes e inusitadas.

M: É possível falar em um homem com dores universais estando no nordeste brasileiro? Há alguma possibilidade de metáfora de mundo que nos remeta a nossa perdição original estando sobre a sela de um cavalo?

G: A maior parte das melhores obras da literatura universal retrata os grandes dramas universais sob um olhar local. É o Urbe et Orbi. É assim com Dostoiévski, John Steinbeck, James Joyce, Gabriel García Marques, Nelson Rodrigues ou Marcel Proust. Seja sobre a sela de um cavalo, de um camelo ou de uma motocicleta, os mitos arquetípicos que nos estruturam são os mesmos em qualquer parte do mundo. Grande Sertão: Veredas, por exemplo, trata da essência e existência do Mal, tanto quanto o Fausto, de Goethe; aborda o homossexualismo tanto quanto Em Busca do Tempo Perdido; trata das desigualdades sociais tanto quanto Dom Quixote. A obra de Dênisson Filho não foge a este Destino. Ele é local e universal, como o próprio ser humano.

M: O que senhor espera encontrar em Menelau e os homens (Casarão do Verbo, 2012, ficção), o novo trabalho de Dênisson Padilha Filho?

G: A continuidade deste trabalho sólido que ele vem construindo ao longo dos anos. Espero encontrar tanto prazer em sua leitura quanto nas obras anteriores deste importante autor baiano.

Mais sobre Goulart Gomes em seu site.

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