O BLOG DO ESCRITOR, NO AR

IMG_0222_PBEstamos iniciando o blog do escritor Dênisson Padilha Filho, onde você vai encontrar indicações de leitura, resenhas, minicontos do autor, assim como trechos de sua obra, notícias e críticas sobre seus livros. A ideia é que o novo blog seja um ambiente para os amantes da literatura se encontrarem ou encontrarem a palavra; seja ela sob a dimensão da boa narrrativa ou sob a dimensão estética. Enfim, um espaço criado para as palavras, para que unidas recriem novos sentidos, e com isso recriem o mundo.

Apareça lá: http://dpadilhafilho.wordpress.com/

Um ano de Menelau e os Homens.

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Como nunca é tarde para a gratidão, então …

Faz pouco mais de um ano que tive meu mais recente livro publicado.

Menelau e os homens (Casarão do Verbo, 2012) foi lançado no Restaurante Grande Sertão, em Salvador ( depois Feira de Santana e Itaberaba). Daí pra cá vem sendo bastante lido e, para minha alegria, tenho recebido boa crítica, não só dos leitores, mas de alguns veículos de imprensa. Foram três resenhas,  publicadas pela Verbo21, pelo Jornal A Tarde e pelo Blog de Literatura do iBahiaPor tudo isso, portanto, só tenho a agradecer, não só aos que dão retorno sobre o prazer em ler nosso trabalho e aos veículos que resenharam o livro, mas também a Rosel e Renata Soares, da Editora Casarão do Verbo, pelo belo projeto editorial e por distribuirem Menelau e os homens em todo o Brasil.

Permiso para salir

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Uma águia  se assentou na nopalera pra saborear a cascavel recém caçada. O sol era impiedoso, como em grande parte dos dias ali. De um lado da estradinha vermelha e desolada vinha um cavaleiro vestido de poeira, no belo coldre na cintura rebrilhava sua .45. Do outro lado da mesma estrada, crescendo com o galopinho viageiro, um apache chiricaua e sua mulher. Ele vinha imponente, superior a tudo, irmão do vento, montado num mustangue rosilho. Ela, correndo atrás, como se contasse as pisadas do rosilho.

― Alto lá! Pele vermelha, de onde visita esses quadrantes?

― Vivo na Reserva de San Carlos. Permissão pra sair. Meu velho pai agoniza em Sonora.

― Mas por que você viaja a cavalo e a mulher segue a pé, correndo atrás?

― Porque ela não tem cavalo.

A águia já havia acabado seu banquete quando o chiricaua falou aquilo e seguiu seu rumo. O cavaleiro empoeirado desistiu de sacar sua .45 prateada e foi se afastando também, enquanto uma voz ecoava em sua mente: “Pinche guerrero de las montañas…mujercita estúpida!“.

Como quem sonha

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― Pai,  é verdade que meu avô era um pistoleiro frio e que matou mais de oito?

― É, filho, é verdade, infelizmente.

― E ele morreu de quê, pai?

― Morte natural.

― Mas ontem os meninos daqui da rua ficaram rindo de mim, dizendo que meu avô nem podia sair de dia, e que ele morreu feito um cão danado, acuado nos matos com quarenta tiros.

― Foi justamente o que eu disse, morte natural.

O filho deixou o jogo de pega-varetas no chão, apagou a luz do quarto e foi dormir. O pai foi pra sala com uma ligeira impressão de que os meninos da rua pegaram pesado demais.

PASEO EN MEXICO VIEJO

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Painel de Diego Rivera, Palácio de Belas Artes, México DF.

Família passeando no Palácio de Belas Artes, Mexico- DF. O filho mais novo pergunta ao pai:

 – Pai, tudo isso que a gente vê aqui no México… essas construções, catedrais imensas… é verdade  que é tudo de pedra e cal?

 – Sim, filho.

 – Como assim? Pedra e cal só?

 – E sangue, filho. Sem sangue, muito sangue, nada disso estaria de pé.

O pai saiu andando, visitando o resto do museu, com uma ligeira sensação de que havia pegado pesado demais…

Menelau e os Homens na UNEB de Itaberaba

CARTAZ ITABERABA

No próximo dia 6, Menelau e os homens (Casarão do Verbo, 2012) estará sendo lançado no auditório da UNEB de Itaberaba. O lançamento acontece logo depois de uma sessão de leitura pública, seguida de debate com alunos e o público em geral. Tudo isso, dentro da programação do Encontro de Literatura Baiana: com a palavra o escritor.

Sertão Pretérito

Minhas espáduas denunciam meu sertão pretérito.

Minhas longas botas, parte de mim, sertão até os joelhos.

Meus testículos abarrotados de sementes verdes, sertão que virá.

Meus pés, sertão cansado.

Minhas mãos, silentes, se multiplicam no sertão da alcova.

A música dos meus tormento-minutos, sertão que não se cala.