Um ano de Menelau e os Homens.

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Como nunca é tarde para a gratidão, então …

Faz pouco mais de um ano que tive meu mais recente livro publicado.

Menelau e os homens (Casarão do Verbo, 2012) foi lançado no Restaurante Grande Sertão, em Salvador ( depois Feira de Santana e Itaberaba). Daí pra cá vem sendo bastante lido e, para minha alegria, tenho recebido boa crítica, não só dos leitores, mas de alguns veículos de imprensa. Foram três resenhas,  publicadas pela Verbo21, pelo Jornal A Tarde e pelo Blog de Literatura do iBahiaPor tudo isso, portanto, só tenho a agradecer, não só aos que dão retorno sobre o prazer em ler nosso trabalho e aos veículos que resenharam o livro, mas também a Rosel e Renata Soares, da Editora Casarão do Verbo, pelo belo projeto editorial e por distribuirem Menelau e os homens em todo o Brasil.

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Silêncio

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A cree woman, by Edward Curtis

      Casal no sofá em casa, assistindo a um dos filmes de fronteira da coleção dele.

     ― Sally Duas Árvores. ― Ela diz. ― Curioso o nome dela. Olha como ela olhou pra Ned. O olhar dela diz tudo. Garanto que ela consegue dizer tudo assim, com o olhar. Olha como ela olhou pra ele na hora em que ele montou e saiu. Ele nem teve coragem de chegar perto pra se despedir. Os índios não são muito simpáticos, mas deve ser interessante pro cara ser casado com uma índia, que fala pouco e se comunica mais com o olhar.

      ― Deve ser.

Permiso para salir

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Uma águia  se assentou na nopalera pra saborear a cascavel recém caçada. O sol era impiedoso, como em grande parte dos dias ali. De um lado da estradinha vermelha e desolada vinha um cavaleiro vestido de poeira, no belo coldre na cintura rebrilhava sua .45. Do outro lado da mesma estrada, crescendo com o galopinho viageiro, um apache chiricaua e sua mulher. Ele vinha imponente, superior a tudo, irmão do vento, montado num mustangue rosilho. Ela, correndo atrás, como se contasse as pisadas do rosilho.

― Alto lá! Pele vermelha, de onde visita esses quadrantes?

― Vivo na Reserva de San Carlos. Permissão pra sair. Meu velho pai agoniza em Sonora.

― Mas por que você viaja a cavalo e a mulher segue a pé, correndo atrás?

― Porque ela não tem cavalo.

A águia já havia acabado seu banquete quando o chiricaua falou aquilo e seguiu seu rumo. O cavaleiro empoeirado desistiu de sacar sua .45 prateada e foi se afastando também, enquanto uma voz ecoava em sua mente: “Pinche guerrero de las montañas…mujercita estúpida!“.

Como quem sonha

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― Pai,  é verdade que meu avô era um pistoleiro frio e que matou mais de oito?

― É, filho, é verdade, infelizmente.

― E ele morreu de quê, pai?

― Morte natural.

― Mas ontem os meninos daqui da rua ficaram rindo de mim, dizendo que meu avô nem podia sair de dia, e que ele morreu feito um cão danado, acuado nos matos com quarenta tiros.

― Foi justamente o que eu disse, morte natural.

O filho deixou o jogo de pega-varetas no chão, apagou a luz do quarto e foi dormir. O pai foi pra sala com uma ligeira impressão de que os meninos da rua pegaram pesado demais.

PASEO EN MEXICO VIEJO

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Painel de Diego Rivera, Palácio de Belas Artes, México DF.

Família passeando no Palácio de Belas Artes, Mexico- DF. O filho mais novo pergunta ao pai:

 – Pai, tudo isso que a gente vê aqui no México… essas construções, catedrais imensas… é verdade  que é tudo de pedra e cal?

 – Sim, filho.

 – Como assim? Pedra e cal só?

 – E sangue, filho. Sem sangue, muito sangue, nada disso estaria de pé.

O pai saiu andando, visitando o resto do museu, com uma ligeira sensação de que havia pegado pesado demais…

Menelau e os Homens na UNEB de Itaberaba

CARTAZ ITABERABA

No próximo dia 6, Menelau e os homens (Casarão do Verbo, 2012) estará sendo lançado no auditório da UNEB de Itaberaba. O lançamento acontece logo depois de uma sessão de leitura pública, seguida de debate com alunos e o público em geral. Tudo isso, dentro da programação do Encontro de Literatura Baiana: com a palavra o escritor.

Assembleia Literatura entrevista o escritor Dênisson Padilha Filho

Assista à entrevista completa AQUI.