MENELAU E OS HOMENS: Demasiado ambíguos – Resenha de Paulo André Correia para a VERBO21

 

Clique no trecho e leia a resenha completa que a VERBO21 publicou sobre Menelau e os homens (Casarão do Verbo, 2012).

“Numa conversa virtual com Dênisson, falei desse viés ritualístico e ele falou do confronto entre o ideal helênico de cultura e o ideal judaico. Atentei então para os nomes dos personagens. Menelau, que lembra o ideal grego de herói e Davi, o herói judaico, com a vitória do segundo. Na minha leitura, como já salientei, vi a metáfora da invasão violenta dos valores da dita modernidade urbana. Davi, capturado, deixa o amigo Menelau nas brenhas do sertão por vários dias e percebe que só resta voltar à cidade, deixando a certeza de que na vida não há inocentes, pois como lhe revela a voz intrusa que aparece na narrativa: “os homens não são bicho de confiança” (p. 43). Davi, então, “tomou as rédeas de sua égua monumental, montou e se afastou num galope apressado, afinal, a cidade precisava dele” (p. 43). A hybris (a ambiguidade de que fala o narrador de Calumbi) derrota a aretê (o ideal épico de virtude)”.

Paulo André Correia é Mestre em Literatura pela UEFS. Atualmente leciona na UNEB.

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Entrevista com Rosel, da Casarão do Verbo

Rosel Soares tem 39 anos e é um dos sócios da editora baiana Casarão do Verbo. Fundada em 2007, a Casarão já tem 15 livros publicados. Apesar da maior parte do catálogo ser formada por obras de escritores baianos, Rosel explica que o critério de publicação é a qualidade do texto. Confira a entrevista.

Menelau e os homens: Como é ter uma editora jovem hoje no Brasil?

Rosel: É, antes de tudo, um ato de coragem; o que, por sua vez, é ingrediente para a ousadia e o empreendimento. Renata, Rafael eu – os três sócios da Casarão do Verbo – já atravessamos aquela fase primeira, marcada por uma certa ansiedade que nos fazia pensar quase sempre: de onde virá o dinheiro para publicar o terceiro título? Morreremos no quinto? Chegar ao décimo pode ser um sinal de vitalidade? Mas, para não fugir à pergunta: é um constante desafio ter uma editora jovem no Brasil, como em qualquer parte do mundo, suponho. Mas é erro achar que todos os espaços e nichos já foram abocanhados pelas grandes e consolidadas editoras.

M: Quais são os critérios da Casarão do Verbo para publicação?

R: Um autor publicado pela Casarão do Verbo precisa ser, antes de tudo, um exímio contador de histórias. Precisa saber escolher as melhores palavras disponíveis na língua Portuguesa para contar essa ou aquela história. Precisa estar preocupado em criar o mais rápido possível a sua própria voz narrativa. Precisa, assim, ter um estilo que o diferencie o quanto antes de seus mestres.

M: Qual a imagem que a Casarão do Verbo quer passar para o público? Como isso reflete no catálogo da editora?

R: A imagem que nós estamos construindo e que deverá ser consolidada nos próximos cinco anos é a de uma casa de livros voltada para a publicação de obras de qualidade literária respeitada e também a de uma editora preocupada com a formação de leitores, a começar pela região Sudoeste da Bahia, que é onde a Casarão está sediada [na cidade de Anagé]. Não posso adiantar ainda nenhum de nossos projetos nesse sentido, mas é certo que ainda esse ano deveremos lançar o primeiro de seis dos nossos projetos envolvendo a formação de leitores na Bahia.

M: Se você pudesse publicar qualquer autor, quem seria ele? E por quê?

R: Há vários nomes, entre mortos, vivos e feridos. Tenho um respeito que chega a beirar a idolatria por nomes como Guimarães Rosa, Machado de Assis e Hélio Pólvora (que aliás segue vivo e publicado pela Casarão do Verbo). Mas eu seria infinitamente realizado enquanto editor se tivesse publicado Graciliano Ramos.

As Baianas

Fico muito à vontade para falar desses colegas escritores e amigos. E do talento deles também. Recomendo fortemente As Baianas (Casarão do Verbo, 2012). Lá estão Lima Trindade, Gustavo Rios, Tom Correia, Mayrant Gallo, Carlos Barbosa e Elieser Cesar.Cada qual com sua verve; todos indispensáveis.

Olha o que saiu no Caderno 2, do A Tarde:

Texto: Marcos Dias

O que é que a baiana tem? Tem vontade de ir no camarote de Daniela custe o que custar, tem. Tem desejo de matar, tem.  Tem hora que se cansa de humilhação, tem. Tem tara de ser chamada de puta, tem. Tem desejo de alimentar sua inquietude, tem. Tem memória de violência doméstica, tem. E muito mais. Dos balangandãs da baiana de Dorival Caymmi às baianas dos escritores Carlos Barbosa, Elieser Cesar, Gustavo Rios, Lima Trindade, Mayrant Gallo e Tom Correia — que  lançam o livro As Baianas sexta, às 19 horas, na Livraria Cultura — muito dendê foi fervido, a ponto de não haver traços da marqueteira baianidade nos  contos.

A ideia do projeto partiu do escritor e jornalista Elieser Cesar, que há três anos leu As Cariocas, de Sérgio Porto, e, tomado pelo escriptível da obra — o fato de poder ser continuadamente escrita pelo leitor —, acreditou que poderia, com outros escritores, oferecer um mosaico da mulher nascida na Bahia sem as imagens-feitas do imaginário brasileiro. Autor do conto A Guerreira da Lapinha, Cesar diz que os escritores convidados partiram de títulos criados por todos e, à maneira de Porto, as personagens foram vinculadas a um bairro, dando origem a narrativas como A Noivinha do Cabula (de Rios), A Putinha da Vitória (de Barbosa) ou A Bonnie dos Barris (Gallo). Continue lendo.

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