Menelau, Davi e as cagaitas

A foto foi daqui.

Davi levantou-se do chão e foi se recostar ao tronco da cagaiteira, onde estava o amigo. Correu as vistas pelo horizonte incerto, metáfora dos seus dias, e se sentou ao lado de Menelau. Foi quando se entregou a catar quatro, cinco cagaitas maduras no chão. Menelau nunca gostou, mas, deixando-se levar pela cena em que Davi abocanhava vorazmente as cagaitas aos punhados, comeu duas e até que se agradou daquilo doce-azedo na boca. E foram limpando a sombra da cagaiteira que logo, logo se desembuçou dos frutos amarelos. Pareceu até que o tempo e o sol, pouco a pouco, foram ficando amigos de Menelau e Davi e a tarde foi se esmaecendo, e os dois amigos, chumbados do efeito da cagaita — que aquilo, maduro, é igual a pinga —, dormiram, degustando a brisa fraca que tangia os contrafortes da serra e o carrascal, naquela hora velha da tarde. Acantoados os dois no curral de pedra, feito dois bois esquecidos no mundo.

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