PASEO EN MEXICO VIEJO

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Painel de Diego Rivera, Palácio de Belas Artes, México DF.

Família passeando no Palácio de Belas Artes, Mexico- DF. O filho mais novo pergunta ao pai:

 – Pai, tudo isso que a gente vê aqui no México… essas construções, catedrais imensas… é verdade  que é tudo de pedra e cal?

 – Sim, filho.

 – Como assim? Pedra e cal só?

 – E sangue, filho. Sem sangue, muito sangue, nada disso estaria de pé.

O pai saiu andando, visitando o resto do museu, com uma ligeira sensação de que havia pegado pesado demais…

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Menelau e os Homens na UNEB de Itaberaba

CARTAZ ITABERABA

No próximo dia 6, Menelau e os homens (Casarão do Verbo, 2012) estará sendo lançado no auditório da UNEB de Itaberaba. O lançamento acontece logo depois de uma sessão de leitura pública, seguida de debate com alunos e o público em geral. Tudo isso, dentro da programação do Encontro de Literatura Baiana: com a palavra o escritor.

Sertão Pretérito

Minhas espáduas denunciam meu sertão pretérito.

Minhas longas botas, parte de mim, sertão até os joelhos.

Meus testículos abarrotados de sementes verdes, sertão que virá.

Meus pés, sertão cansado.

Minhas mãos, silentes, se multiplicam no sertão da alcova.

A música dos meus tormento-minutos, sertão que não se cala.

Na terra do Sol, de Lula Oliveira

Cheguei um dia ao cineasta e amigo Lula Oliveira com um argumento de roteiro. Disse a ele que queria sua ajuda pra roteirizá-lo, mas Lula , com seu senso de oportunidade e de aglutinar pessoas, me convidou pra ser roteirista de um projeto seu, já em andamento na época.

Foi assim que entrei em Na terra do Sol (Lula Oliveira, ficção, 35mm, 13min, 2005). Recebi um argumento e uma versão ainda incipiente da história.  Aí fui catando as coisas, os formatos possíveis de se roteirizar. O resto foi criação e  imaginação, falas febris, dores e gemidos em forma de poesia, na voz dos personagens, representações dos quatro últimos sobreviventes e um soldado da Guerra de Canudos.

Alguns anos se passaram, e muitas críticas –  boas e ruins –  e um Prêmio BNB de Melhor Filme de Temática Nordestina depois, resolvi escrever esse pequeno post, que resume sobre meu debùt como roteirista.

Aquele abraço, Lula, e obrigado.

Graças a você, hoje publicam: “O escritor e roteirista Dênisson Padilha Filho…”

Assembleia Literatura entrevista o escritor Dênisson Padilha Filho

Assista à entrevista completa AQUI.

“Charla”, conto inédito de Dênisson Padilha Filho, na Verbo21

Colt 45, The Peacemaker, 1873

Dizem que Deus criou os fortes e os fracos, e o Colt os igualou. Mas há quem diga também que uma estrovenga dessas de seis tiros só é ameaça na mão de um forte; ou pelo menos quando seu portador não está diante de um. (…)

Mais

90 DIAS DE UM MUNDO MAIS CINZA

Desde que ele fez a viagem fico me perguntando, onde será que está? Defendo a ideia de que está por aí, fazendo folia nas estrelas, rindo alto, bonachão que era. Talvez cantando e convidando cada partícula de poeira cósmica pra cantar com ele. Ou, quem sabe,  pela Via Láctea convocando as criancinhas, “aprendendo com elas”,   como costumava dizer.

Só sei que em meio a tantas elucubrações,  fiquei e ficamos aqui, nós outros, órfãos, deserdados das alegrias do ipê-amarelo mais vivo, festeiro e criativo que a música brasileira já teve.

90 dias sem Dércio Marques;  e o que ficou foi um mundo mais cinza. A afirmação pode parecer derrotista, mas é o que sinto. Volta e meia vem de lá, do fundo, uma saudade doída que só ela.

Resta seguir… aguardar o dia em que, em sonho ou não, serei surpreendido com mais uma chegada furtiva desse menestrel maior, rindo alto, emendando canções e mitigando nossa dor…