Duas novelas de Horácio Quiroga

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Já demorei demais para escrever sobre Horácio Quiroga. Falo isso à guisa de elogio. Esse escritor, exímio contador de histórias, conseguiu, tanto na sua contística quanto nas novelas que escreveu, comover o leitor. Nossa existência, circunstanciada, quase sempre, pela tragédia, é representada por ele de forma magnífica. O amor é o mote; a melancolia e a liberdade ― que a falta de saída nos traz ―  dão o tom nessas duas novelas publicadas pela L&PM num só volume.

Em ambos os textos de Quiroga há uma espécie de Romantismo tardio. Mas, sem dúvida esse é um escritor que deixou seu legado estético para todo um conjunto de autores latinoamericanos que iriam figurar pelo século XX adentro.

Silêncio

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A cree woman, by Edward Curtis

      Casal no sofá em casa, assistindo a um dos filmes de fronteira da coleção dele.

     ― Sally Duas Árvores. ― Ela diz. ― Curioso o nome dela. Olha como ela olhou pra Ned. O olhar dela diz tudo. Garanto que ela consegue dizer tudo assim, com o olhar. Olha como ela olhou pra ele na hora em que ele montou e saiu. Ele nem teve coragem de chegar perto pra se despedir. Os índios não são muito simpáticos, mas deve ser interessante pro cara ser casado com uma índia, que fala pouco e se comunica mais com o olhar.

      ― Deve ser.