Vai em paz, mano Dércio

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Dércio Marques, querido menestrel,  eterno coração de menino, vai em paz e, por onde andar, assim como fez entre nós, leva suas gargalhadas altas e, sobretudo, a magia da sua música.

…O girassol mudou de rua

Virou de costas para o sol

Namora a lua

O mal-me-quer respira e exala

pra coroar seu bem-querer

Se despetala…

Feliz aquele que te conheceu, conheceu sua(s) arte(s).

Dênisson Padilha Filho, eternamente grato.

“Dona Mimma”, de Luigi Pirandello

O que mais me impressiona na contística do grande Luigi Pirandello é a despretensão com que ele narra as histórias. No volume de contos intitulado Dona Mimma (Berlendis&Vertecchia, 2002), o siciliano da gema, notabilizado pela dramaturgia que escreveu na reta final de sua vida, traz à baila coisas simples de uma aldeia, como por exemplo um passarinho que vive com dois velhos e é cobiçado pelo gato persa, todos sob o olhar das estrelas; falo do conto Um gato, um pintassilgo e as estrelas. Noutro conto, a conversa entre pais num vagão de trem sobre os filhos que a guerra levou: Quando se compreende. Em Banco sob um velho cipreste,  dois homens  – um marido e um amante – pautam a vida no amor por uma mulher e se encontram,  já velhos e derrotados, num banco de parque.

Creio que não há perigo de eu estar estragando coisa alguma ao falar assim de alguns dos contos do volume, pois o grande prazer está, repito, na leveza narrativa de Pirandello e na dimensão estética dos textos.

Anterior a esse Dona Mimma, também em bela edição, a editora lançou O velho Deus, que reúne as novelas de Pirandello. Já pedi meu exemplar, mas ainda não li. O que pressupõe que voltaremos a falar, em breve e com muito prazer, da obra do mestre.

Abraços.

Dênisson Padilha Filho.

MENELAU E OS HOMENS: Demasiado ambíguos – Resenha de Paulo André Correia para a VERBO21

 

Clique no trecho e leia a resenha completa que a VERBO21 publicou sobre Menelau e os homens (Casarão do Verbo, 2012).

“Numa conversa virtual com Dênisson, falei desse viés ritualístico e ele falou do confronto entre o ideal helênico de cultura e o ideal judaico. Atentei então para os nomes dos personagens. Menelau, que lembra o ideal grego de herói e Davi, o herói judaico, com a vitória do segundo. Na minha leitura, como já salientei, vi a metáfora da invasão violenta dos valores da dita modernidade urbana. Davi, capturado, deixa o amigo Menelau nas brenhas do sertão por vários dias e percebe que só resta voltar à cidade, deixando a certeza de que na vida não há inocentes, pois como lhe revela a voz intrusa que aparece na narrativa: “os homens não são bicho de confiança” (p. 43). Davi, então, “tomou as rédeas de sua égua monumental, montou e se afastou num galope apressado, afinal, a cidade precisava dele” (p. 43). A hybris (a ambiguidade de que fala o narrador de Calumbi) derrota a aretê (o ideal épico de virtude)”.

Paulo André Correia é Mestre em Literatura pela UEFS. Atualmente leciona na UNEB.