Fuja sem olhar pra trás

E as perguntas eram muitas na cabeça de Davi: Onde estavam os amigos, correligionários de sua família e de seu irmão? Onde estaria agora seu irmão? Pior que ele? Será que capturado? Haveria se rendido? Ou teria trocado tiros até a morte? Onde foi parar, ou como se acabou, da noite pro dia, tudo de prestígio e carisma de que tanto gozaram por toda a vida? Mas é que os homens não são bichos de confiança e, se há algo que, definitivamente, não se pode atribuir a eles é retidão e civilidade; pelo menos, não aos homens daquele vilarejo. Bastava que um alguém — que nunca, sequer, tenha recebido um reles bom-dia na rua — se tornasse capataz do intendente para que sua parentada passasse a ser tratada feito lorde. Ou bastava que nova indicação de intendente ocorresse para que se invertesse o rumo dos rapapés.

Difícil saber, em detalhes, o que houve afinal, já que nem tempo para perguntas lhe restou. Vinha chegando à tardinha do dia anterior ao sossego de sua casa isolada do outro lado da serra, quando um recado lhe alcançou as mãos: “Fuja, Davi! Salve sua pele. Fuja sem olhar pra trás!”. Desistiu de praguejar e de lamentar pra dentro; olhou pro lado e viu Menelau, com quem deveria aprender a ficar quieto, afinal, de nada mais valiam seus ódios e mágoas. Agora era Menelau e ele, a pé.

A foto é daqui.

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